Escrevo esse texto sabendo que corro o risco de soar paradoxal — ou ainda de estar escrevendo com o único motivo de autopromover minha recém-lançada imersão prática. Não me desculparia se estivesse realmente fazendo isso; faz parte do jogo. Mas não é o caso: a imersão prática surgiu, em grande parte, por conta dessa observação que quero trazer aqui.
Talvez eu precise te dar um contexto: sou dessas pessoas que se orgulha e se interessa pelo intelecto. Me chame de feia, mas não me chame de burra.
Sempre, desde muito nova, me esforcei pra ser inteligente, interessante e estudada — que são coisas diferentes, mas não cabe aqui fazer essa distinção. Cheguei ao extremo de fazer um mestrado em semiótica francesa. SEMIÓTICA FRANCESA, gatas. E quase segui para o doutorado, não fosse um detalhe: eu precisava ganhar dinheiro.
Meu sonho era ser intelectual, mas sou da classe trabalhadora e, portanto, preciso trabalhar. E foi tentando — e conseguindo razoavelmente — ganhar dinheiro que me deparei com essa realidade dura da vida: ser inteligente (ou estudada) não basta nos dias de hoje. Talvez nunca tenha bastado, mas não fiz essa pesquisa, então vou me ater ao presente.
Fast forward: quase 10 anos empreendendo, ensinando e mentorando outras empreendedoras me fizeram ter certeza de que tem muita gente inteligente, interessante e estudada perdendo tempo se lamentando. Ó vida, ó puxa, preciso contar pros outros que sou legal. Ou ó vida, ó puxa, tem outra pessoa menos legal fazendo mais sucesso e dinheiro que eu, e a vida é injusta.
Ou ainda: gente super inteligente que simplesmente não sabe o que fazer com isso a não ser dar palestrinha em situações inconvenientes — mas resolver problemas reais e nem sempre glamourosos de pessoas de verdade, nada.
Trazendo pro meu universo: é aquela pessoa que sabe tudo de história da moda, é capaz de recitar os nomes de todas as bolsas icônicas de todas as marcas de luxo, de citar todos os diretores criativos que já passaram em todas as casas de moda — mas trava na hora de escrever um post pra comunicar o próprio trabalho; ou não consegue propor uma solução pra uma cliente que quer parar de sofrer todo dia quando abre o armário; ou que não tem a confiança de cobrar pelos seus serviços.
Quase comecei esse parágrafo com “infelizmente”, mas a real é que não sei se é realmente infelizmente.
Para ganhar dinheiro e construir um negócio é preciso agir — e não só pensar. É preciso realizar, mesmo sem sentir que está pronta. A vontade de realizar precisa ser maior que o medo de errar. É preciso ter a humildade de se reconhecer, em alguma medida, ignorante e propenso ao erro. É preciso ter coragem de falhar.
Perdão pelo tom meio coach motivacional, mas quase uma década tocando meu negócio me fez ver que a ação é o que muda o jogo e paga as contas no fim do mês.
E veja: construí um negócio de personal styling apostando em intelectualidade.
Criei um curso (e um método) fundamentados na semiótica. No Styletelling passo SEIS aulas de 2 horas cada só fazendo fundamentação teórica — numa época em que muita gente fez dinheiro vendendo cursos de formação com aulas gravadas de 15 minutos.
Intelectualidade segue sendo importante pra mim, mas ela, sozinha, não teria me trazido até aqui.
Então, se você me permite terminar esse texto encarnando minha versão meio coach, meio full-pistola: invista sim na sua intelectualidade; estude e estude muito; leia, visite exposições de arte, assista filmes, mas, pelamordedeus, aja. Pratique, teste coisas, coloque essa inteligência e interessância pra jogo de um jeito prático.
Coloque a mão na massa, erre, erre muito. Teste, falhe, comece de novo. Mas não guarde sua inteligência só pra reclamar que a vida é injusta — porque, bem, ela é.




Gênia! Obrigada pelo aulão e tapa na cara super necessário.